{"id":1716,"date":"2023-03-23T12:26:00","date_gmt":"2023-03-23T12:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/championsarise.org\/?post_type=blog&#038;p=1716"},"modified":"2023-03-16T12:27:25","modified_gmt":"2023-03-16T12:27:25","slug":"do-fazer-ao-ser","status":"publish","type":"blog","link":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/blog\/do-fazer-ao-ser\/","title":{"rendered":"Do fazer ao ser"},"content":{"rendered":"\n<p>Eu tinha sete anos de idade quando convidei a Jesus Cristo para entrar na minha vida. Jamais esquecerei aquele dia quando pedi perd\u00e3o dos meus pecados e agradeci a Jesus por ele ter morrido por mim na cruz. Ele confirmou a minha ora\u00e7\u00e3o com uma paz profunda e alegria transbordante. Isso aconteceu numa evangeliza\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as, na cidade de Dortmund, na Alemanha Ocidental. Lembro quando depois da reuni\u00e3o caminhava para casa; a rua era escura e a maioria das casas estava em ruinas, pois havia se passado apenas um ano do t\u00e9rmino da segunda Guerra Mundial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela noite o meu cora\u00e7\u00e3o transbordava de luz e alegria. Eu tinha nascido de novo! O Deus do universo tinha se tornado o meu Pai celestial. E tudo isso em resposta a simples ora\u00e7\u00e3o de f\u00e9. A salva\u00e7\u00e3o, o maior de todos os presentes, foi-me oferecido como dom da gra\u00e7a de Deus. Eu n\u00e3o tinha nada a fazer, al\u00e9m de aceitar de cora\u00e7\u00e3o este presente divino. Tudo j\u00e1 tinha sido feito quando Jesus morreu em meu lugar na cruz, pagando a d\u00edvida e culpa do meu pecado. \u00c9 bom demais!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando cheguei em casa naquela noite exclamei: \u201cMutti (m\u00e3ezinha), eu entreguei a minha vida a Jesus!\u201d&nbsp; Ela me deu um abra\u00e7o e disse: \u201cV\u00e1 e conte para o vov\u00f4.\u201d Ele estava no outro quarto. Foi o que eu fiz.&nbsp; E de l\u00e1 pra frente continuei fazendo exatamente isso, contar aos outros o que Jesus fez por mim. Com oito anos fui batizado, depois que irm\u00e3os da igreja confirmaram que de fato entendia o profundo sentido deste ato de obedi\u00eancia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com dez anos de idade sofri um acidente que quase custou a minha vida. Quando em coma, num hospital cat\u00f3lico, irm\u00e3os da igreja se revezavam para orar ao lado da minha cama. Deus ouviu a ora\u00e7\u00e3o e, contr\u00e1rio ao diagn\u00f3stico do m\u00e9dico, me recuperei. Depois de dois anos n\u00e3o mostrava mais nenhuma sequela daquele acidente traum\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p>Com onze anos eu sabia que Deus me chamou para ser um mission\u00e1rio. Queria dedicar toda a minha vida para levar o evangelho a outros. Entendia que s\u00f3 Cristo salva e que todos est\u00e3o perdidos sem Ele. Hoje reconhe\u00e7o que nem todos os meus m\u00e9todos de levar o evangelho eram adequados quando, por exemplo, levava os meus folhetos, escritos a m\u00e3o, para dentro das igrejas cat\u00f3licas na nossa redondeza. Na minha objetividade e af\u00e3 de salvar os outros, ainda n\u00e3o sabia distinguir entre a voz do Esp\u00edrito de Deus e a minha pr\u00f3pria determina\u00e7\u00e3o. Eu sabia, que tinha achado a verdade, mas ainda n\u00e3o entendia que s\u00f3 o Esp\u00edrito de Deus convence os cora\u00e7\u00f5es e que a minha tarefa era apenas a de ser uma testemunha obediente do amor de Deus. Em casa era um filho obediente, me esfor\u00e7ando para seguir o padr\u00e3o de vida crist\u00e3. Minha m\u00e3e tinha orgulho de mim. Experimentava cada vez mais a realidade da vida de f\u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 15 anos a minha fam\u00edlia mudou-se para o Brasil. Nos primeiros tr\u00eas anos fiquei numa igreja superconservadora, mas depois mudamos para outra denomina\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica que servia a Cristo com alegria. Acabei sendo o l\u00edder dos jovens, e, com 23 anos, voltei \u00e0 Alemanha para ir ao Semin\u00e1rio. Eu queria servir ao Senhor. Deus usou estes anos para testar a minha f\u00e9 e provar o que estava no meu cora\u00e7\u00e3o. Na \u00e9poca minha m\u00e3e, uma verdadeira hero\u00edna na f\u00e9 que muito influenciou a minha vida, me confortou com Dt 8:2,3.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltei ao Brasil bem mais consciente de minha depend\u00eancia total de Deus. Um ano depois encontrei a minha esposa, Marli. Ela tamb\u00e9m tinha entregue a sua vida ao servi\u00e7o de Deus na adolesc\u00eancia. Nos amamos de cora\u00e7\u00e3o e temos uma sinergia maravilhosa no minist\u00e9rio. Ela estava comigo quando lideramos o trabalho da Diaconia por tr\u00eas anos. Em 1969 come\u00e7amos o minist\u00e9rio de RTM no Brasil, que lideramos por 14 anos. Depois atuamos na lideran\u00e7a de RTM em n\u00edvel internacional por 34 anos.&nbsp; Hoje tenho o privil\u00e9gio de estar andado com Jesus h\u00e1 mais de 76 anos. Tem sido uma caminhada maravilhosa, porque Deus \u00e9 fiel em todas as circunst\u00e2ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das mais profundas e impactantes experi\u00eancias no minist\u00e9rio, foi quando compreendi a realidade de Cl 1:27 e Gl 2:20, a vida de Cristo em mim, de uma forma presencial. N\u00e3o que n\u00e3o soubesse que no fim das contas a obra \u00e9 do Senhor, e que sem Ele nada podia fazer. Marli tinha at\u00e9 bordado Jo 15:5 num lindo painel que decorava o meu escrit\u00f3rio desde 1970. Mas foi diferente quando o Senhor me abriu o entendimento para o fato de que a Gra\u00e7a que me salvou em 1946, \u00e9 a mesma Gra\u00e7a que hoje, e a cada dia, quer me fazer andar nas boas obras que Deus preparou de antem\u00e3o (Ef 3:8-10). O que conta n\u00e3o \u00e9 minha performance, mas a vida de Cristo em mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando entendi que a minha identidade em Cristo \u00e9 real e presente desde o momento em que Ele entrou no meu cora\u00e7\u00e3o e me fez um filho de Deus (Jo 1:12), toda a minha perspectiva ministerial mudou. Comecei a entender que discipulado n\u00e3o \u00e9 apenas um exerc\u00edcio de disciplina e autocontrole, mas \u00e9 a rendi\u00e7\u00e3o total e di\u00e1ria da minha vontade ao Esp\u00edrito de Cristo que habita em mim (1Co 6:17).&nbsp; Quando apropriei o fato de que a minha velha natureza j\u00e1 morreu com Cristo na cruz (Rm 6:6) e que eu, livre do poder do pecado (Rm6:22), posso viver a vida de santifica\u00e7\u00e3o no poder de Cristo, um grande peso caiu das minhas costas. Entendi que o que eu tinha feito at\u00e9 ent\u00e3o era t\u00e3o rid\u00edculo, como a hist\u00f3ria do homem que recebeu carona. Quando j\u00e1 sentado no carro foi convidado a tirar a mochila pesada que carregava nas costas. Mas ele se negou, porque achou que assim estava aliviando o peso no carro. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mt 11:28-30 come\u00e7ou a ter um novo sentido para mim. Entendi que muitas vezes eu tinha feito a obra com as minhas for\u00e7as. \u00c9 certo que eu era bem-intencionado e justificava a minha falta de tempo para a fam\u00edlia e outras coisas importantes, dizendo que era respons\u00e1vel pela obra do Senhor. Agora entendi porque andava exausto e sem paz. Eu tinha trocado as prioridades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entendi que antes de poder fazer o trabalho de Deus, eu tinha que estar em \u00edntima sintonia, em comunh\u00e3o de jugo, e obediente a Jesus. Ele queria tirar-me a mochila pesada e colocar nos meus ombros o seu fardo, que \u00e9 leve. Entendi que a base do padr\u00e3o do mundo, de saber, ter, fazer e controlar \u00e9 contr\u00e1rio ao valor do Reino, que \u00e9 <strong>ser<\/strong> uma nova criatura, <strong>ser<\/strong> um disc\u00edpulo de Jesus. A verdadeira obra de Cristo, \u00e9 somente o que Cristo operou. O resto \u00e9 religiosidade. Quando reconheci isso, me assustei. Quanto do meu investimento tinha sido no suor de Caim e simplesmente obra da carne que Deus rejeita (Rm 8:8). Foi profundo o meu arrependimento. Hoje louvo a Deus pela sua abundante gra\u00e7a que cobre tamb\u00e9m este pecado da autossufici\u00eancia espiritual. \u00c9 ser para fazer! \u00c9 Cristo em mim o autor e consumador. E isso n\u00e3o nos leva a inatividade, pelo contr\u00e1rio. Paulo d\u00e1 a resposta quando diz: \u201c<em>Trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, n\u00e3o eu, mas a gra\u00e7a de Deus comigo<\/em>\u201d (1Co 15:10).<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":1717,"template":"","tags":[18],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/blog\/1716"}],"collection":[{"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/blog"}],"about":[{"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/types\/blog"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/blog\/1716\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1718,"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/blog\/1716\/revisions\/1718"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1716"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/crossby.com.br\/championsarise\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1716"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}